Ao olharmos pela luneta do tempo, observamos que a formação de Senhor do Bonfim partiu de três roteiros econômicos.

O primeiro, ligado às expedições bandeirantes que desbravaram os sertões em busca de pedras e metais preciosos. O segundo, com a ocupação das terras pela Casa da Torre de Garcia D’Ávila, período em que foi criada a Missão de Nossa Senhora das Neves do Sahy. E, por fim, o terceiro roteiro, relacionado aos tropeiros e vaqueiros que traziam e levavam gado para o Maranhão, Piauí e Ceará.

Além de entendermos os motivos do povoamento de toda região, esses movimentos permitem compreender a importância das atividades econômicas para criação do Arraial do Senhor do Bonfim da Tapera.

Logo, o pequeno povoado, situado à margem da estrada das boiadas, cresceu em decorrência ao comércio do gado.

Ao final do Século XVIII, o então Arraial da Tapera passou a ser a Vila Nova da Rainha, recebendo assim sua autonomia administrativa e política. Contudo, a elevação à categoria de vila não se deu apenas pelo reconhecimento da Coroa Portuguesa, coube aos comerciantes e fazendeiros locais, arcarem com os custos de instalação que foram na ordem de $679$600 (seiscentos e setenta e nove mil e seiscentos réis), algo em torno de R$ 83.500,00 (oitenta e três mil e quinhentos reais) em valores atuais.

A economia da vila continuou em crescimento, tendo como base a pecuária, principalmente em torno da compra e venda de animais na área, que ficou conhecida como Campo do Gado. Outros produtos agrícolas como fumo, milho e café também passaram a ser produzidos e comercializados na região. Isso acabou atraindo mascates que percorriam os sertões e permitiu o surgimento de pequenos comércios, dando origem a feira livre, que se tornaria uma das maiores e mais importantes feiras do Nordeste.

Já com o status de cidade, Bonfim teve com a chegada da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, um divisor de águas para seu desenvolvimento econômico.

Além de escoar a produção agrícola, o trem possibilitou a chegada de produtos manufaturados, muitos importados, bem como o aumento no fluxo de pessoas que passavam pela cidade, tendo como consequência, a abertura de diversos armazéns, lojas e hotéis. Esse crescimento continuou nas primeiras décadas do Século XX, transformando Bonfim em um dos mais importantes centros comerciais da Bahia.

Nossas origens estão diretamente relacionadas a essas atividades econômicas, o desenvolvimento do município se deve muito aos empreendedores bonfinenses, ou aos vindos de outros estados, ou até mesmo de outros países.

Referências:
Notícias e Saudades da Villa Nova da Rainha, aliás, Senhor do Bonfim (Paulo Machado)
Senhor do Bonfim – Minha Rua, minha história (Paulo Machado & Camila Machado)

Artigo publicado em 10/02/2021 no Portal Empreende Bonfim, por Alex Barbosa